É frequente encontrarem-se coberturas que durante anos funcionaram bem e que de um momento para o outro deixam de funcionar. Aparentemente a cobertura foi correctamente executada, então, porque não cumpre agora a sua função?
Neste ponto apresentam-se algumas das causas possíveis mais frequentes.
Fracturas
Inicialmente quando aplicadas, as telhas e demais elementos complementares, apresentam-se em perfeito estado. No entanto, com o decorrer do tempo, agentes externos podem afectar a conformidade do produto.
As telhas podem sofrer impactos que podem levar à abertura de fendas, fissuras ou até mesmo à quebra. A aplicação directa de estruturas suporte ou apoios, nomeadamente de painéis solares, sobre as telhas, movimentação de cargas e pessoas podem provocar danos deste género. Os elementos afectados, por alguma destas circunstâncias, devem ser substituídos e a situação inicial da cobertura deve ser reposta o mais rapidamente possível.
Sempre que se verifique a necessidade de circular frequentemente sobre o telhado para instalação ou intervenções técnicas em antenas, painéis solares ou outros equipamentos, devem prever-se caminhos de passagem através da colocação de telhas passadeiras Torreense.
Acumulação de Musgo e Detritos
A função básica de uma cobertura é garantir a estanquidade à água. No entanto, a sua função pode ser afectada com o aparecimento de detritos e musgos.
Nestas circunstâncias, a cobertura deixa de funcionar, pelo impedimento que estes elementos provocam no telhado. A água deixa de escoar livremente e através da acção do vento podemos ter o recuo das águas, provocando infiltrações. A solução destes problemas passa pelo cumprimento de um plano de manutenção preventiva à cobertura.
Descasque por Acção do Gelo
Trata-se, talvez, de um dos maiores problemas produzidos numa cobertura e os danos subsequentes são claramente visíveis e chamativos no telhado.
Pode ocorrer numa cobertura de telhas cerâmicas, mesmo que estas revelem conformidade segundo o ensaio descrito na norma EN 539 – 2. Ainda que as telhas estejam certificadas e apresentem o cumprimento de todas as especificações normativas, poderão vir a descascar por acção do gelo.
Para que o descasque se dê, por acção do gelo, contribuem um conjunto de factores:
Ausência de Ventilação, não existindo arejamento dos elementos cerâmicos, esta aumenta o seu tempo de secagem. A massa do corpo cerâmico fica sujeita a constantes variações de temperatura por espaços de tempo alargado, sujeitando-se desta forma a ciclos de gelo-degelo. A água existente no corpo cerâmico sofre variações bruscas de volume podendo provocar a sua destruição, daí que seja essencial permitir trocas de calor e humidade com o exterior. Busca-se com estas trocas o equilíbrio entre o corpo cerâmico e o ambiente.
Orientação Geográfica Desfavorável, orientação geográfica a norte aumenta o risco da ocorrência de descasques por acção do gelo-degelo, não significando no entanto, que não se possa construir coberturas com orientação a norte.
Utilização Excessiva de Argamassas e argamassas fortes contribuem grandemente para potenciar o surgimento de descasques, sobretudo junto à zona de cumes. O processo de libertação da humidade da argamassa é muito mais lento que o do corpo cerâmico. Desta forma, o corpo cerâmico em contacto com a argamassa fica muito mais tempo sujeito aos ciclos de gelo-degelo e é normalmente o primeiro a apresentar problemas.
A prevenção deste problema passa pelo recurso a técnicas de execução, nomeadamente de linhas de cumeeira, sem uso de argamassas, utilizando materiais que permitem uma ventilação eficaz e contribuindo para o bom funcionamento e longevidade da cobertura.
O problema, como já foi referido, inicia-se normalmente junto às linhas de cumeeira e às zonas de contacto com argamassas. Normalmente inicia-se pela descolagem de frisos e nervuras, estendendo-se posteriormente à zona do canudo (no caso da telha lusa).
Uma vez ocorrido o descasque é necessária a substituição integral das telhas das zonas afectadas. Contudo, em muitos casos, poderá ser necessário o levantamento integral da cobertura e nova aplicação das peças, seguindo as boas práticas enunciadas neste texto.
Infiltrações de Água
Como foi referido, a estanquidade à água é uma das funções básicas da cobertura. No entanto, é frequente registarem-se infiltrações e causa não se prende com a falta de qualidade dos produtos.
Para a ocorrência de infiltrações concorrem vários factores, como por exemplo, uma inclinação insuficiente e/ou execuções incorrectas em zonas de remates. Os pontos críticos são:
- Remates de cumeeira;
- Remates com paredes e chaminés;
- Encaixes das telhas;
- Larós (zona de convergência de águas);
- Remates e inclinações de beirados.
Ao longo deste site enumeramos as boas práticas que permitem a redução do risco de ter infiltrações numa cobertura: inclinação adequada e correcta aplicação do produto.
Diferenças de Tonalidade
As diferenças de tonalidade resultam do facto de no processo cerâmico se trabalhar com matérias-primas naturais. Em alguns casos, as diferentes tonalidades das peças constituem um efeito estético muito apreciado e intencionalmente intensificado com a produção de telhas com acabamentos superficiais mais trabalhados.
Contudo, quando se pretender obter um efeito em que predomine um tom homogéneo sugere-se que, no momento da aplicação, sejam misturadas peças de diferentes paletes de produto.
As diferenças de tom das peças cerâmicas afectam somente o aspecto estético da cobertura, não interferindo em nada com as suas características funcionais.